Como lidar com a troca de patrão
Tema: Fusões e mudanças organizacionais - autor: indefinido
Publicado pelo OESP em 07/03/2007
O ritmo de fusões e aquisições no Brasil está numa velocidade nunca vista antes: em 2006, as transações envolvendo empresas brasileiras atingiram valor recorde de US$ 71 bilhões. A maior parte dessas operações foi fechada no exterior. Em 2007, estima-se que US$ 100 bilhões sejam negociados.
E no meio destas negociações, estão os executivos que atuam nessas empresas. "Ninguém mais pode trabalhar sem se preparar para um cenário de fusões, compra e venda", diz a sócia responsável por desenvolvimento de lideranças da Korn/ Ferry,Fernanda Pomin."O empresário deve sempre vislumbrar os dois cenários: o de continuar na empresa e o de sair."
A superintendente de produtos sócio-ambientais do Banco Real, Linda Murosawa, já passou por dois processos de fusão. O primeiro, quando o Unibanco comprou o Banco Nacional, em 1996, foi "bastante complicado", como ela conta. "Era uma experiência muito nova entre instituições financeiras, naquela época", relembra. "Um dia, nós do Nacional acordamos sem chefe. Foi um choque, e os critérios para escolher quem ficava eram comunicados aos poucos."
Mais recentemente, quando o Real comprou o ABN, o processo foi mais simples. "O ABN mantinha a comunicação com os funcionários e não havia cumplicida dede cargos, como na fusão anterior, pois os bancos eram muito diferentes. Foi um processo bem mais tranquilo."
Por ser um momento de incerteza sobre o futuro da empresa, muitos executivos são sondados por headhunters ou buscam novas oportunidades de mercado. "Ele podo até con-
não é bom tomar decisões na primeira semana ou no primeiro mês", diz o prcsidcnteda consultoria DBM, Marcelo Cardoso. "Ele deve buscar o máximo de informações sobre o que ocorrerá na empresa, e nunca decidir precipitadamente."
Isso porque muitas empresas estão optando por incorporar todo o quadro de funcionários da empresa adquirida. O Itaú, que adquiriu em setembro as 73 agências BankBoston no País, manteve o pessoal.
O mesmo foi feito pela Schin cariol ao comprar, em janeiro, a cervejaria Baden Baden. Segundo a empresa, não deverá haver mudanças. "Será prioridade manter as características de produção artesanal e posicionamento de mercado que construíram o valor da marca Baden Baden", disse Adriano Schincariol, diretor-superintendente do grupo.
ANSIEDADE
A empresa possui um papel importante na manutenção do ambiente de trabalho harmonioso e sem tensões, enquanto dura o processo. "O principal é comunicar em excesso o que vai acontecer na empresa", diz Fernanda, da Korn/Ferry. "Se não houver definição sobre o que vai mudar, a empresa deve informar às equipes que não sabe. A ansiedade das pessoas têm de ser respeitadas."
Caso a empresa não seja transparente no momento da fusão, pode surgir um tipo de comunicação que só prejudica o andamento do trabalho: a "rádio peão". "Enquanto as empresas não comentam quem vai e quem fica, os concorrentes comentam, os headhuntor comentam, a imprensa comenta. A situação para os executivos é péssima", diz Cardoso, da DBM.
O QUE FAZER
Calma: Se sua empresa for comprada ou estiver se unindo com outra, não pule fora no primeiro momento, ou saia correndo atrás de headhunters. Busque o máximo de informações antes de qualquer decisão.
Cultura: Conheça a cultura da empresa compradora. Avalie se você concorda com os valores que ela defende. Faca uma previsão de como será o futuro da empresa e planos de carreira.
Fofocas: Não alimente fofocas nem boatos sobre quem sai e quem fica na empresa. Além de causar stress no ambiente de trabalho, não contribui para a imagem de um executivo. É momento para colaboração.
Contatos: Não deixe para conversar com seus contatos na última hora. Mantenha sua rede atualizada sempre.
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