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Um prêmio para quem fracassa

Tema: Inovação - Autoria: Ana Paula Lacerda



Professor do MIT defende a tese que é preciso perdoar e até premiar falhas para incentivar a inovação nas empresas

Um professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) defende uma proposta que pode arrepiar muitos gestores de empresas: que as falhas devem ser aceitas, e até premiadas, dentro dos trabalhos que exigem inovação.
"Quando se busca inovação dentro das empresas, o fracasso é uma das opções de resultado", explica o brasileiro Gustavo Manso, o professor de Finanças do MIT que estuda o assunto. "Mas para motivar que haja inovação, é preciso que haja espaço para tolerar fracassos, e por vezes premiá-los."
Embora a tendência da maioria das empresas seja castigar executivos e funcionários cujos projetos deram em nada, Manso diz que toda falha pode ser uma fonte de aprendizado para a empresa. "Esse estudo pode gerar novas idéias, que colocam a empresa na direção correta, ou até mesmo gerar um novo projeto de sucesso. Quando gera estes bons frutos, o fracasso do início pode ser premiado."
Ele cita como exemplo a invenção do Post-it pela 3M. Inicialmente, o projeto tinha como objetivo desenvolver um novo tipo de cola, mas o resultado foi frustrante: a tal cola era muito fraca e o dinheiro investido parecia perdido. Porém, ao ser aplicada no verso de um pedaço de papel, o produto deu origem ao Post-it, aquele papelzinho para recados que se tornou um dos sucessos da empresa.
Manso deixa claro, no entanto, que nem toda atividade pode receber prêmios ou incentivos após falhar. "Nas áreas operacionais da empresa, não faria sentido. Não se pode apertar um botão errado ou fazer um cálculo errado. Essa idéia se aplica às áreas de inovação da empresa, onde é necessário experimentar várias vezes até descobrir o melhor caminho." Ele sugere que caso a empresa adote esta prática é preciso deixar bem claro aos funcionários como funcionará a premiação e quais atividades terão direito a ela, para evitar conflitos entre os colegas. "O Bank of America, por exemplo, selecionou algumas agências nos EUA para trabalhar mais fortemente com as áreas de inovação e esse tipo de avaliação."
Ele fala que nos Estados Unidos esse tipo de incentivo já existe em várias empresas, como SM, IBM, Motorola e outras. "Na Índia, isso também está se desenvolvendo, e no Brasil o movimento ainda é em menor escala, mas já está começando."

IBM

O sócio da consultoria da IBM Brasil, Paulo de Tarso Machado, diz que existe na empresa o espaço para tentativa e erro. "Nós queremos vender inovação para nossos clientes, então temos de começar com inovação dentro de casa", diz ele. Recentemente, Machado recebeu um prêmio por inovação na área de software sem trabalhar diretamente na área - sua colaboração já foi reconhecida. "Na IBM há prêmios para projetos inovadores, e também muito espaço para experimentação. Se algum projeto fracassa, estudamos o que ocorreu para aprender com aquele erro."
Ainda não existe uma premiação para falhas na IBM, mas Machado diz que a idéia é interessante. "Se a concepção do projeto foi bem discutida e a empresa sabe quais competências está usando, mesmo um resultado falho serve como parâmetro para mensurar qual o caminho correto."
Manso, do MIT, diz que é esse conhecimento do projeto também é importante para saber a hora de parar. "Até certo ponto, uma falha pode gerar conhecimento. Mas o executivo tem de saber quando é a hora de mudar de direção."

FRACASSOS

Apesar de achar que a premiação de falhas é uma opção radical, o presidente da consultoria Partnership & Learning, Robert Wong, concorda que a punição de executivos que têm insucesso em projetos inibe o crescimento profissional. "A punição cria pessoas medrosas, que vão evitar inovar para manter seu trabalho", diz ele. "Isso vai contra a tendência de mercado de incentivar cada vez mais a inovação." Wong fala que os verdadeiros líderes não têm medo de errar. "Eles fazem o que acham que é certo. Se erram, aprendem com seus erros."
A sócia-diretora da consultoria Career Center, Karin Parodi, aconselha oferecer ajuda e dar retornos com críticas construtivas àqueles colegas de trabalho que tenham resultados considerados fracos em suas atividades.
" Se o insucesso acabar se tornando um sucesso, ele deve ser premiado. Se não der em nada, a pessoa precisa ao menos de um retorno para que não ocorra de novo e possa tirar algum aprendizado." De qualquer forma, sempre se deve elogiar os pontos fortes do trabalho. "Um executivo motivado sempre trabalha melhor, especialmente depois da adversidade."


DEVER - 'Para vender inovação é preciso exercê-la em casa', diz Tarso

Fonte:
Jornal O Estado de São Paulo
28 de dezembro de 2006
Autoria:
Ana Paula Lacerda


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