Jovens em início de carreira
Tema: Desenvolvimento - Autoria: Paulo Nathanael Pereira de Souza
É fato: as empresas não contratam jovens em início de carreira que não apresentem alguma experiência no mundo do trabalho. De que forma, então, aqueles que aspiram a uma vaga no competitivo ambiente corporativo podem satisfazer a esse requisito? O estágio se apresenta como resposta, de acordo com pesquisa publicada pela revista Carta Capital e realizada pelo Instituto TNS InterScience. O levantamento corrobora os resultados já comprovados pelo Centro de Integração Empresa- Escola (CIEE), em seus 42 anos de existência promovendo estágios em parceria com organizações dos setores privado e público: entre os cem executivos de empresas atuantes em setores como têxtil, automotivo e de telecomunicações, 74% promovem programas de estágio para oferecer oportunidade de iniciação laboral em seus quadros aos jovens que dão os primeiros passos em seu caminho profissional. A medição traz ainda um comparativo com 2005, demonstrando o aumento desse percentual. No ano passado, 49% dos empresários indicaram esse instrumento como forma de abrir espaço para quem começava sua carreira. Ainda de acordo com a pesquisa, um dos principais objetivos de contratar jovens estagiários é investir em pessoal capacitado para cargos gerenciais. Ou seja, o estágio é a fórmula eficaz na formação dos futuros talentos da organização, dado que, aliás, é constatado por uma outra pesquisa, também realizada pelo Instituto TNS InterScience, mostrando que 64% dos exestagiários são efetivados após terem passado por essa experiência. Percebe-se, assim, que a participação de jovens nas atividades da empresa fornece a elas a valiosa oportunidade de chegar mais rápido e eficazmente ao perfil profissional de que necessita. As empresas passam a descobrir que esse é um grande diferencial na constante corrida para formar talentos de acordo com sua cultura organizacional. Nas bem colocadas palavras do professor José Pastore, estamos em um daqueles períodos em que a história corre mais depressa. Os processos de recrutamento e formação de bons profissionais se modificaram inteiramente, principalmente diante da grande velocidade das mudanças tecnológicas, que fez crescer a importância da empresa na complementação da aprendizagem. A economia do mundo já foi totalmente globalizada e tornou-se extremamente concorrencial, tendência essa já consolidada no Brasil. Para os empresários, importar uma nova máquina é relativamente fácil. Mas um problema que pode se apresentar é de que forma tirar o máximo de "quilometragem" dessa máquina. A operação depende de quem é o responsável por ela, daqueles que supervisionam os processos, as organizações e as pessoas. Esse modelo não pode ser importado e deve ser cultivado no ambiente da empresa, tendo como guia os valores de sua cultura. Esse cultivo é enormemente facilitado pelo sistema de estágio. Se, por um lado, esse tipo de treinamento apresenta-se como ferramenta eficiente na lapidação dos futuros talentos da organização, por outro se revela como valioso também para os jovens. Esse dado é importante quando considerado outro resultado da pesquisa realizada pelo Instituto TNS InterScience: para 58% das empresas ouvidas, a maioria dos estudantes e recém-formados não está capacitada para entrar no mercado de trabalho. Embora o percentual tenha diminuído em relação a 2005, quando 64% indicaram esse problema, a desqualificação profissional dos jovens ainda é um grande obstáculo. Para ultrapassá-lo, o estágio é imprescindível à vida do estudante, afirmação que parte dos próprios jovens e justificada pela chance de desenvolvimento profissional e aprendizado. Essa comprovação está na pesquisa intitulada "O valor do estágio", que fez parte de uma série de estudos que o CIEE realizou. No último levantamento, o objetivo foi compreender, tendo como referência a percepção do jovem, qual a importância e o valor do estágio em sua vida.
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